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quarta-feira, março 31, 2004

Regresso 

O doutor Durão Barroso regressou hoje de Moçambique. Alguém sentiu a falta dele?

terça-feira, março 30, 2004

Ferrada 

Houve uma vez um árbitro de futebol que disse que depois ter ido ao circo e ter visto um porco andar de bicicleta, já nada o fazia admirar.
António José Seguro vai amanhã ser eleito líder parlamentar do PS.

segunda-feira, março 29, 2004

Mudanças (III) 

O quarto vazio, resta pelo chão, coberto de poeira o cartaz - democracy amBUSHed in Florida -, oferecido numa manifestação em Times Square. Recordações e uma constatação. Em Dezembro, farão então quatro anos que não vou a Nova Iorque (ainda existiam as Torres Gémeas - ainda será a mesma cidade?). Um mandato inteiro de George W. Bush. Pode ser que em Dezembro, os EUA possam voltar a ter um presidente eleito pela maioria dos eleitores americanos...

Mudanças (II) 

Há um momento particularmente angustiante nas mudanças. É quando vemos a carrinha partir e percebemos que, bem compactada, a nossa vida cabe, sobre o comprido, em vinte metros quadrados.

Mudanças (I) 

O senhor das mudanças é brasileiro. Apanhei um táxi e o taxista é brasileiro e simpático q.b.. O que prova que também entre os taxistas, ao contrário do que se possa imaginar, é possível encontrar um meio-termo entra a má-educação e rasquice «fogareira» e o excesso de simpatia (igualmente desagradável, sobretudo quando só queremos estar calados ou ler o jornal). Que gostoso.

domingo, março 28, 2004

Língua (mestre Caetano) 

«Gosto de sentir a minha língua roçar
A língua de Luís de Camões
Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar
A criar confusões de prosódia
E um profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa
E sei que a poesia está para a prosa
Assim como o amor está para a amizade
E quem há de negar que esta lhe é superior
E quem há de negar que esta lhe é superior
E deixa os portugais morrerem à míngua
Minha pátria é minha língua
Fala Mangueira
Fala!

Flor do Lácio Sambódromo
Lusamérica latim em pó
O que quer
o que pode
Esta língua


Vamos atentar para a sintaxe paulista
E o falso inglês relax dos surfistas
Sejamos imperialistas
Cadê? Sejamos imperialistas
Vamos na velô da dicção choo de Carmem Miranda
E que o Chico Buarque de Hollanda resgate
E Xeque-mate, explique-nos Luanda
Ouçamos com atenção os deles e os delas da TV Globo
Sejamos o lobo do lobo do homem
Sejamos o lobo do lobo do homem
Adoro nomes
Nomes em Ã
De coisa como rã e ímã...
Nomes de nomes como Scarlet Moon Chevalier
Glauco Mattoso e Arrigo Barnabé, Maria da Fé
Arrigo Barnabé

Incrível
É melhor fazer uma canção
Está provado que só é possível filosofar em alemão
Se você tem uma idéia incrível
É melhor fazer uma canção
Está provado que só é possível
Filosofar em alemão
Blitz quer dizer corisco
Hollywood quer dizer Azevedo
E o recôncavo, e o recôncavo, e o recôncavo
Meu medo!

A língua é minha Pátria
E eu não tenho Pátria: tenho mátria
Eu quero frátria

Poesia concreta e prosa caótica
Ótica futura
Samba-rap, chic-left com banana
Será que ele está no Pão de Açúcar
Tá craude brô, você e tu lhe amo
Qué que'u faço, nego?
Bote ligeiro
Nós canto falamos como quem inveja negros
Que sofrem horrores no Gueto do Harlem
Livros, discos, vídeos à mancheia
E deixa que digam, que pensem,que falem.»

Caetano Veloso (obrigado por existires!)


A Foreign Sound 

Atenção. A notícia é a seguinte, tomem nota por favor: no dia 8 de Abril sai no Brasil o novo disco de Caetano Veloso.
Sim, é verdade, um dos grandes mestres e o brilhante jongleur da Língua Portuguesa (não tenho receio em dizê-lo), o maravilhoso Caetano está de volta para cantar em... inglês. O CD chama-se A Foreign Sound . São 21 temas, entre eles grandes clássicos como Summertime, Cry me a river ou (sim, sim...) Love me tender.
Confesso que já estou de água na boca. Oh, iluminada Estrada do Coco, sorte a tua que o vais ouvir primeiro... Isso, sim, é motivo de inveja. Inveja pura.

28 M 

A Esquerda ganhou as eleições regionais francesas. Venceu em 20 das 22 regiões. Aqui não houve bombas. Não podem falar da vitória do medo. Que arrelia!

«Isto» 

O senhor Presidente da República, que está lesionado num pé e por isso não participou hoje na Meia-Maratona de Lisboa (que foi alvo de excepcionais medidas de segurança na Ponte 25 de Abril) , foi à meta para dizer isto: «Temos os péssimo hábito de falar sobre as medidas de segurança que se vão tomar e as que foram tomadas. Não devemos dizer publicamente o que estamos a fazer nesse sentido, porque se o dissermos é um completo absurdo, ridículo. Isto não é uma reinação».
É evidente que o senhor Presidente não tem razão. «Isto» é mesmo uma reinação! Quanto ao resto, esperemos que o senhor tenha rápidas melhorias. Do pé.

Reacção 

Reacção em cima da hora ao último post: «Oh. Scolari, só ganhas a mortos!». Salvo seja.

Segurem-se 

Os resultados de uma sondagem TSF/DN revela que os portugueses estão mais convencidos do sucesso da selecção portuguesa no Euro 2004 do que na possibilidade do evento decorrer sem problemas de segurança. Em resumo: Luiz Felipe Scolari, 1- Figueiredo Dias, 0.

Pagodinho 

O assunto merece ser desenvolvido (talvez nos próximos dias), mas para já fica dito, em jeito de recomendação. Objecto imperdível: Acústico MTV, de Zeca Pagodinho. Para ouvir, ouvir, ouvir, ouvir...
PS- Quem quiser saber a última aventura cervejeira do grande Zeca, pode consultar o Estrada do Coco.

Parabéns 

Penélope Cruz deixou de ser namorada de Tom Cruise. Felicidades. Ou, em castelhano, en hora buena. A senhora merece melhor.

Advogados 

Afinal, o advogado de Saddam Hussein vai ser o senhor Verges, que se celebrizou pelas defesas do nazi Klaus Barbie e de Carlos, o Chacal. Pode dizer-se que está em boas mãos. Então e o advogado Martins, de Carlos Silvino, fica-se?

sábado, março 27, 2004

De Caras 

Depois da primeira página de hoje do Expresso, há uma coisa que se pede ao arquitecto Saraiva e aos seus muchachos: que nunca mais vomitem o quer que seja sobre jornalismo tablóide. Em nome do pudor.

A 2: um caso de incompetência 

Eu sei que o râguebi não move multidões, que tem tido tratos de polé, tudo isso. Mas o que se passou hoje na 2 (a tal televisão que salvou o mundo) com a transmissão directa do decisivo Portugal- Rússia (não se sabem, mas Portugal acaba de se sagrar campeão europeu) não tem explicação possível. Talvez uma: INCOMPETÊNCIA.
A dois minutos do fim, no momento em que ia ser marcada uma penalidade que podia dar a vitória à selecção portuguesa (e consequente título europeu), a transmissão foi interrompida para um bloco de publicidade institucional. Quando foi retomada, não se sabia se Portugal estava na frente do marcador ou não (por acaso, não estava, só conseguiria já no período de descontos).
Imagine-se na final do Euro 2004, quando Figo se preparasse para marcar um livre frontal à baliza adversária, com um empate no marcador, a transmissão fosse interrompida para publicidade...Se fosse futebol este comportamento da 2 seria um escândalo nacional. Assim, é só um escândalo. Uma vergonha que exigiria um pedido público de desculpa.

sexta-feira, março 26, 2004

Golpes de vista feito pelos leitores (é assim, não é Abrupto?) 

A minha amiga Paula, enviou um mail ao Golpes de Vista, sobre as «causas naturais» das pontes que caiem, que aqui se reproduz:

«Depois de mais de trinta anos a viver neste portugal, já devias saber que aqui «causas naturais» é um conceito diferente....não se trata de ciclones, chuvadas, ventanias, tempestades furiosas ou outras manifestações potentes da natureza. não. em terras lusas causas naturais é tudo aquilo que não pode nem deve ter causas, sob pena de todo o país ficar ele próprio em causa. a ponte caiu porque, como toda a gente sabe, todos os objectos têm por natureza uma propensão para cair; as pessoas morreram? azar. toda a gente sabe que as pessoas um dia têm mesmo que morrer; parece que o rio tinha pouco areia? Toda a gente sabe que é natural que os rios fiquem sem areia....faz parte . ninguém vai ser responsabilizado pelo que aconteceu? é natural. como toda a gente sabe ninguém sozinho tem verdadeiramente culpa de nada. Não há dúvida que o juiz interpretou muitíssimo bem a natureza humana e sobretudo, as coisas das coisas.»

Talvez seja isso...

Declaração de voto 

Na sequência da tomada de posição do doutor Luís Filipe Menezes (apoio a Belmiro de Azevedo para cabeça de lista do PSD nas eleições europeias) e do confrade Terras do Nunca (intenção de voto no Pingo Doce), cumpre-me informar: votarei Corte Inglês.

quinta-feira, março 25, 2004

Última hora 

Forza Itália, 4 - Força Portugal, 3

Milão 

É assim que se diz melão em italiano?

Causa natural 

Segundo o juiz de instrução responsável pelo processo. a ponte de Entre-os-Rios, afinal, caíu por «causas naturais». Só gostava que explicassem exactamente o que significa uma ponte (ou um prédio, por exemplo) cair por «causas naturais». Um sismo? Ou a negligência na manutenção das pontes (e outras edificações) acaba de ser alcandorada, pela jurisprudência portuguesa, a «causa natural»?
Só falta dizer que quem morreu em Entre-os-Rios terá morrido de morte «natural».
Moral da história: vejam lá onde põem os pés. Pode haver sempre uma «causa natural» à nossa espera.

quarta-feira, março 24, 2004

O amigo de Luanda 

Segundo a Global Witness, num relatório citado hoje pelo Público, o petróleo angolano continua a ser pasto para a mais desenfreada corrupção, com o próprio chefe do regime cleptocrata de Luanda a arrebanhar alguns milhões de dólares para as suas contas no Luxemburgo e na Suiça. O pai de Tchizé e grande amigo do primeiro-ministro de Portugal não se trata nada mal, como se vê.
Da próxima vez que o doutor Durão for pressurosamente comer à conta dele, já sabe que os croquetes têm o distinto sabor do petróleo roubado e do sangue derramado. Os amigos são para as ocasiões.

As maravilhas da Grécia 

Segundo a imprensa desportiva do dia, dois clubes de Atenas estarão interessados em contratar o actual treinador do Sporting, Fernando Santos. Helás! Eis uma excelente oportunidade para tudo se resolver satisfatoriamente.

Ele anda bem? 

Depois de ouvir os comentários de Luís Delgado, na SIC Notícias, à entrevista de Mário Soares, treslendo-a, fica a dúvida: a criatura anda bem?

Segurança 

Depois de ouvir Mário Soares, entrevistado por António José Teixeira na SIC Notícias, há pelo menos uma coisa (entre várias) em que o homem tem razão. Este modelo de combate ao terrorismo tem sido totalmente ineficaz. Prometeram-nos um mundo mais seguro e ele está mais inseguro do que nunca.
E também é verdade que quem se atreva a apontar outros caminhos é apontado a dedo, pelos apóstolos do pensamento único, no mínimo, como «colaboracionista» dos terroristas.
Como alguns já têm apontado, o recurso à inteligência (com todos os sentidos que a palavra possa ter, até do ponto de vista orgânico - serviços de informação), a criação de uma comunidade internacional de informação, a compreensão do «outro lado» (para melhor poder eliminar as suas causas) parece ser a alternativa. Ainda que isso custe aos muitos cowboys da nossa praça.

terça-feira, março 23, 2004

???? 

Depois de ler alguma da tempestade levantada na blogosfera a propósito do assassinato do sheik Yassin, há uma muito sintética questão que baila no meu espírito.
O que é que o falecido senhor tem a ver com a esquerda?

Nossa Senhora 

O ministro da Defesa anunciou, impante , que o Rock in Rio, o Euro 2004 e a Volta a Portugal em bicicleta vão ser palcos de uma enorme campanha («como nunca se viu») para atrair os jovens para o serviço militar. Esqueceu-se de referir o 13 de Maio, em Fátima... aparentemente poupado a este exercício militar do inconfundível garnisé do Restelo.
Terá sido uma cunha da Nossa Senhora (depois dos relevantes serviços prestados à Nação, entre os quais o ter afastado o Prestige da costa portuguesa), como se sabe uma das grandes confidentes do ministro (posto em que só rivaliza com a D. Helena)?

segunda-feira, março 22, 2004

Dúvida 

Será a morte do sheik Yassin (que não merece que se verta uma lágrima) um sinal de força contra o terrorismo, tão defendida por alguns falcões de pacotilha, que acham que é assim que o mundo se torna um sítio mais seguro?
Ou apenas da fraqueza de Sharon (ainda acossado por vários escândalos internos)?

Essa é que é essa 

O Francisco, do Aviz, resume bem a situação, depois da morte do sheik do lençol:

«(...)independentemente de todas as razões, o ataque a Yassin não deixa de ser uma falta estratégica e, claramente, aos olhos do Ocidente, uma baixa moral importante. Internamente, significa que Ariel Sharon aceita o apoio e a base eleitoral dos partidos haredim e de extrema-direita (que tinham defendido a eliminação de Yassin), em «compensação» pela saída de Gaza e por um compromisso sobre os territórios da Judeia e da Samaria; externamente, é um golpe que não deixará de ser condenado (embora ninguém chore uma lágrima por Yassin) e que aumentará a campanha anti-Israel numa parte da opinião pública. Não há aqui juízos sobre equivalência moral; o Hamas acabou de ganhar um mártir poderoso. A guerra vai continuar a ser devastadora. Não se sabe com que efeitos.»
In Aviz

Sábias palavras.

Lost in Translation 

É apenas uma pequena nota do Correio da Manhã, mas é talvez a declaração mais relevante que se pode ler nos jornais de hoje, mesmo incluindo a entrevista de EPC ao Diário de Notícias. Scarllet Johansson, a actriz de Lost in Translation, diz não estar interessada em aparecer completamente nua num filme. «Quebra a magia», explica. Isto merecerá uma análise do Terras do Nunca?

domingo, março 21, 2004

ASL 

À asl, do Glória Fácil, deve o Golpes de Vista a mais bonita das boas-vindas, o que aqui se regista com um lamentável atraso. Mas não há motivos para inveja, minha querida amiga. O Milénio, quando chega, é para todos.
Sobre o Inverno e a (já nostálgica) ternura que por ele sente, como sabe, faço minhas as suas palavras. Mas, como dizia a canção, atrás dos tempos vêm tempos. E outros tempos hão-de vir.

Festa brava 

O Diário de Notícias de hoje está prenhe de informações relevantes, aliás convenientemente promovidas à condição de manchete. Por exemplo: «Touradas ganharam público mas perderam qualidade». Mais: «Praças estão quase todas muito velhas e faltam novos valores no toureio apeado». E ainda: «A festa taurina espera um sopro de renovação». É sempre bom estar informado.
Um aficionado meu amigo comentou apenas: «Olhem para Espanha». Mas não cheguei a perceber se era de touros que ele falava.

Pois é, tudo vira bosta 

Hoje só me apetece cantar:

«O ovo frito, o caviar e o cozido
A buchada e o cabrito, o cinzento e o colorido
A ditadura e o oprimido
Prometido e não cumprido e o programa do partido
TUDO VIRA BOSTA
O vinho branco, a cachaça, o chope escuro, o herói e o dedo-duro
O grafite lá no muro, seu cartão e seu seguro
Quem cobrou ou pagou juro, meu passado e meu futuro
TUDO VIRA BOSTA
Um dia depois não me vire as costas
Salvemos nós dois
TUDO VIRA BOSTA
Filet 'minhão' (mignon), champignons ('champinhão') Don Perignon ('perrinhão'), salsichão, arroz, feijão
Muçulmano e cristão, a Mercedes e o 'fuscão'
A patroa do patrão, meu salário e meu tesão
TUDO VIRA BOSTA
O pão-de-ló, brevidade da vovó, o fondue, o mocotó, Pavarotti e Xororó
Minha eguinha pocotó ninguém vai escapar do pó, sua boca e seu loló
TUDO VIRA BOSTA
Um dia depois não me vire as costas
Salvemos nós dois
TUDO VIRA BOSTA
A rabada, o tutu, o frango assado, o jiló e o quiabo
A prostituta e o deputado, a virtude e o pecado, esse Governo e o passado
Vai você que eu tô cansado
TUDO VIRA BOSTA»

Tudo Vira Bosta, Moacyr Franco (in Balacobaco, Rita Lee)

Não se faz 

Boas notícias que chegam da estrada do coco. Desse lado só chegam mesmo boas notícias.

sábado, março 20, 2004

Milénio 

Alegria. Chegaram os Milénio, empacotadinhos em sacos de FNAC espanhola (que são iguais aos da FNAC portuguesa - eis a virtuosa globalização). Com uma prenda: dois livrinhos das receitas de Montalbán. Comiendo con Carvalho. Uma adaptação do já antigo Las Recetas de Carvalho. Não faltam os clássicos bacalhau à pil-pil e o arroz de sardinhas.
Abramos o apetite:
«- Hay guerra?
-Qué guerra?
- En Iraq
- Pues me parece que si, o no, aunque yo la televisón la veo poco, porque de día duermo y de noche, ya lo ha visto usted: trabajo.
Las guerras existen si se ven.»

Este dia 

Perante um dia destes, pouco mais há para dizer. Bendito o anti-ciclone dos Açores! Bendita a luz de Lisboa!

sexta-feira, março 19, 2004

Enviados (muito) especiais 

Sendo este um espaço também destinado a estados de alma, confesso que aguardo ansiosamente a chegada dos meus enviados-especiais a Espanha e ao Brasil, presumivelmente neste fim-de-semana.
De Espanha chegarão os dois volumes de Milénio, o último romance do grande (mucho) Manuel Vázquez Montalbán (que, como se sabe, há quem diga que morreu), com Pepe Carvalho Rumo a Kabul e Nos Antípodas. Agora que La Aznaridad já acabou.
Do Brasil, chegará o mais recente Ruy Castro (depois de Querido Poeta, a correspondência de Vinícius de Moraes). Chama-se (sugestivamente, como é hábito dizer-se nestas ocasiões) Amestrando Orgasmos.
Montalbán e Ruy Castro são dois autores de leitura obrigatória. Fazem parte da lista de afectos.
Só para abrir o apetite, aqui vai um resumo (roubado do site da extremosa Livraria Saraiva) de Amestrando Orgasmos:
«Aficionado pelas mais variadas notícias publicadas na imprensa, Ruy Castro constatou que a ciência, como ele, sempre foi viciada em sexo. Com sua verve inconfundível, o escritor comenta as informações que lê vorazmente e constrói um painel inventivo e singular sobre algumas destas obsessões. Qual a origem do orgasmo? O prazer mora no cérebro ou no sexo? Sexo entre quadrúpedes é igual ao dos bípedes? E porque será que os cientistas preferem estudar este tema ao invés de descobrir a cura da enxaqueca? Afinal, o orgasmo é múltiplo, solitário ou é invenção da mídia? Amestrando Orgasmos reúne contos e crônicas publicadas entre 1997 e 2003 em diversas revistas, impiedosamente reescritos para esta seleção, e também outras histórias saborosas, criadas especialmente para o volume. »
Prazer garantido. Vinde depressa!

«Vai tu!» 

Segundo a SIC Notícias, o doutor Mário Soares terá defendido a necessidade de negociar com a Al Qaeda. Sobre esse assunto, faço minhas as palavras do Terras do Nunca.
Mas perante aquela declaração, a ser exactamente assim, só posso invocar a exclamação de alguém que me é próximo ao ouvir a notícia. «Vai tu!»

Um ano 

Sentimo-nos todos muito mais seguros, não sentimos?

quinta-feira, março 18, 2004

Lampião Félix 

O doutor Bagão Félix foi visto na Assembleia da República. Acalmem-se: o Benfica não treinou hoje. O senhor ministro do desemprego não precisou de faltar a nada importante.

Alternância 

Um dos argumentos mais recorrentes para alguns tentarem diminuir a vitória de Zapatero nas legislativas espanholas é a de se ter tratado mais de um voto de protesto no PP do que de um voto de confiança no PSOE. Mas não é sempre disso que se trata em eleições legislativas, quando um partido é substituído no poder por outro?
Não foi disso que se tratou nas eleições legislativas em Portugal, quando o «estimulante» Durão Barroso (a quem o director do Público, José Manuel Fernandes, chegara a prognosticar que nunca chegaria a primeiro-ministro) ganhou? Não foi mais um voto de protesto que o PS acabou por conseguir mitigar por entretanto ter mudado de secretário-geral?
Não é essa a natureza da democracia? Não é?

+ Iberismo 

O El País é, já aqui se escreveu, o melhor jornal do país. O Figo é, malgré tout , o melhor jogador de futebol do país. O supermercado do Corte Inglês é, muito provavelmente, o melhor do país. A Galiza é, indiscutivelmente, a região mais bonita de Portugal continental. Quatro razões para se gostar de um país.

Dia de Raiva 

Alguns jornais e a oposição maledicente criticaram o doutor Santana Lopes por andar com segurança policial. Tratam-se de críticas sem qualquer fundamento. Basta tentar circular de automóvel, durante o dia, naqueles poucos metros que separam as Amoreiras do Marquês de Pombal para perceber que o presidente da Câmara de Lisboa faz bem em andar prevenido.

quarta-feira, março 17, 2004

O medo é...  

Com a devida vénia à agência Lusa, eis uma demonstração do estado das coisas:

«Um islâmico cliente da Caixa Geral de Depósitos ausentou-se hoje da instituição, em Lisboa, deixando por sugestão de uma funcionária seis sacos no recinto para ir a uma casa de banho. Quando regressou, descobriu que era uma «ameaça terrorista».
Muhamad Khali (nome adoptado por Eugénio de Lemos desde que se converteu ao Islão), 49 anos, frequentador da Mesquita de Lisboa, chegou à CGD do Calhariz às 12:15, com o típico 'cofio' na cabeça e seis sacos cheios de objectos pessoais, incluindo livros que anda a negociar nesta zona de Lisboa.
Quando foi atendido no balcão da instituição, onde não existiam polícias, solicitou um adiantamento da reforma que recebe através daquele banco, operação que obrigou à confirmação da delegação onde está inscrito.
Enquanto esperava, pediu para ir à casa de banho, alegando que estava 'aflito'. A funcionária esclareceu que as instalações sanitárias apenas podem servir os profissionais, e aconselhou-o a dirigir-se a um café.
Muhamad Khalid explicou que isso era complicado, uma vez que estava com seis sacos, e a funcionária terá então sugerido que deixasse os mesmos num anexo do banco até que regressasse.
O islâmico assim fez e, '15 minutos depois', regressou ao banco, onde se deparou com um aparato de 'dezenas de polícias' e a instituição bancária praticamente evacuada.
'Nem queria acreditar', contou à Lusa. 'Eram mais de 50 polícias armados que estavam à minha espera', pormenorizou.
A Lusa confirmou junto da PSP que o edifício foi evacuado e a área selada. Foi igualmente chamada a Polícia Judiciária e a Brigada de Minas e Armadilhas da PSP.
Segundo a PSP, terá levantado suspeitas 'uma mala e um livro do Corão, abandonados por um homem supostamente árabe'.
O islâmico esclareceu à Lusa que 'tem o Corão na cabeça' e que a única publicação muçulmana que transportava era a revista mensal da Mesquita de Lisboa, intitulada Al Furqan.
A intervenção policial deveu-se a um alerta lançado por responsáveis do banco, que desconheciam que os sacos ali se encontravam por sugestão de uma funcionária, que terá ido entretanto almoçar.
Ao chegar ao banco, depois de ter utilizado uma casa de banho de um café, Muhamad Khalid foi abordado por um agente que o mandou entrar e o questionou sobre o que tinha nos sacos. Os sacos foram abertos e o interior revistado. Muhamad Khalid explicou os motivos que o levaram a esta instituição e foi encaminhado para a entrada do banco, com ordens para dali não sair, enquanto aguardava por elementos da Judiciária.
Ao local chegara entretanto um 'director da CGD' que, segundo Muhamad Khalid, o terá 'insultado e humilhado', com 'a colaboração da polícia'.
Dois agentes da Polícia Judiciária chegaram, entretanto, e solicitaram-lhe a identificação. Como estava 'muito nervoso', não encontrou o Bilhete de Identidade e sugeriu que os agentes falassem com as suas advogadas, que o iriam identificar, o que foi recusado.
Na ausência da identificação, Muhamad Khalid foi encaminhado para instalações da Judiciária, onde foi fotografado 'de frente e perfil', com e sem 'cofio' (chapéu islâmico).
Meia hora depois, e já identificado, o islâmico foi 'mandado em paz'.»

Pois...

O remodelável tranquilo 

O senhor ministro da Administração Interna acaba de ir ao Parlamento garantir que os portugueses devem manter a tranquilidade e que o Governo está a fazer tudo o que pode ser feito para prevenir actos terroristas em Portugal.
Ainda bem, mas olha-se para o homem e recordam-se as palavras de Eduardo Prado Coelho, esta manhã no PÚBLICO: «Se recordarmos o que Figueiredo Lopes disse e desdisse na altura dos incêndios, a confiança é nula e o medo dos portugueses cresce.»
Não sei se estão a ver a cena? É assim como pedir ao papão que dê a sopa aos meninos.

Cuidados básicos com a educação das crianças 

Atenção aos pais do meu país. Amanhã, o doutor Durão Barroso dá uma grande (dizem eles) entrevista à RTP 1. Convém mandar as crianças cedo para a cama ou obrigá-las a ver os Morangos com Açúcar.

Ela (coisas simples) 

Por ser verdade, e justo, fica dito. Não haveria Golpes de Vista sem ela. Ela é essencial. Amo-a e pronto.

Iberismo 

Estou cada vez mais convencido. O melhor jornal do país é o «El País». Pelo menos, nesta altura.

terça-feira, março 16, 2004

Zapatada 

Felizmente que Zapatero não prometeu nenhum choque fiscal. Safa!

Zapatero 

José Luis Rodriguez Zapatero ganhou as eleições em Espanha e no dia seguinte reafirmou que vai cumprir uma das suas principais promessas eleitorais: a retirada das tropas espanholas no Iraque no final do mês de Junho, caso até lá as Nações Unidas não assumam a condução do processo de transição. «Uma cedência ao terrorismo!», grita a direita blogoesférica. A mesma que, caso o homem viesse agora dizer que não estava em condições de cumprir a sua promessa, mostraria os dentes: «Estão a ver, estão a ver?».
É sempre bonito ver alguém que ganha eleições cumprir as suas promessas. É tão só isso. É certo que não será tão usual assim, mas caramba! Sendo certo que se há alguma coisa que caracteriza estas eleições espanholas é exactamente a derrota da mentira como arma política.
Zapatero vai ser o primeiro-ministro de Espanha exactamente devido à sua posição sobre a guerra do Iraque (antes e depois do 11-M). Quem pensava o contrário dele, não votou nele. E perdeu.
Simples.

O sentido da vida (um abraço ao Carlos Ferreira) 

Há coisas que, parecendo irrelevantes, podem mudar todo o sentido da vida. Os 11,98 euros do quilo da raia à posta (fonte: folheto do Corte Inglês, de 12 a 25 de Março), por exemplo. Só quem nunca provou a melhor sopa de peixe do planeta (elaborada na freguesia do Rosto de Cão, Livramento, em São Miguel-Açores) não valoriza este dado. Raia de sorte!

A primeira adenda 

Ah, obrigado (também) a quem não vier por bem. Golpes de vista não descrimina ninguém.

O que se diz quando se chega 

Golpes de vista chega à blogoesfera. Longe do papel (sinais dos tempos...), perto do coração.
Golpes de vista é, sobretudo, um descargo de consciência.
Obrigado a quem vier por bem.

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