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segunda-feira, abril 26, 2004

Partir 

Para a Grécia. Parto e parto sem dor. Até logo, então...

O ministro chiclete (e banana) 

O doutor Portas, depois de vaiado, passou a parada militar do 25 de Abril a mascar chiclete, de tal forma que a senhora dona Paula Bobone se viu obrigada a fazer algumas considerações muito duras ao 24 Horas de hoje, com referências desagradáveis a «javardos» e tudo.
Hoje, não compareceu à cerimónia das condecorações, alegando estar com gripe. Isto das paradas nunca dá bom resultado... O doutor Sampaio, preocupado, até pensou mandar um médico a casa do ministro da Defesa e chegou a pedir à senhora doutora Isabel do Carmo que lá desse um saltinho, mas ela não teve tempo...

Solidariedade 

Correspondendo à solidariedade prestada há alguns dias, o major Valentim Loureiro já deve ter manifestado a sua ao doutor Santana Lopes, por causa desta chatice do túnel e do tribunal.
Terá mesmo acrescentado: «Se tiver algum problema, eu conheço um empreiteiro...»

O túnel 

Já aqui escrevi, e não por qualquer embirração com o doutor Santana Lopes, que considero o túnel do Marquês de Pombal um erro, senão um crime. Não tanto pela questão ambiental, que já seria considerável. Mas, sobretudo, pelo inacreditável ângulo de inclinação da descida para o dito túnel (para dar uma ideia, o dobro dos outros túneis da cidade). É por isso que a decisão do Tribunal Administrativo de Lisboa de suspender a obra, por falta de um estudo de impacte ambiental, não pode deixar de ser festejada.

domingo, abril 25, 2004

ZP ganha a ZP 

O Barcelona foi hoje a Madrid ganhar por 2-1 ao Real Madrid. Ora, esta semana, depois da abertura oficial do novo parlamento espanhol, o primeiro-ministro Zapatero (que é adepto do Barça, enquanto o «defunto» Aznar era um furioso madrilista) tinha apostado com um grupo de jornalistas que os catalães iam ganhar 2-1 à equipa «galáctica», no terreno desta. Acertou em cheio!
Será uma maré de sorte? Será o (novo)sistema?
Portanto, ZP ganhou a ZP.
Expliquemos: ZP são as iniciais de Zapatero Presidente, o slogan que o PSOE usou na campanha eleitoral vitoriosa. ZP é o diminuitivo que a imprensa desportiva espanhola adoptou para a política seguida pelo presidente do Real Madrid, a chamada linha Zidanes y Pavones (ou seja, grandes contratações galácticas por um lado e jovens saídos dos escalões de formação, do outro - o Real não contrata jogadores que não sejam grande estrelas, o que leva a que haja grandes desiquílibrios no seu plantel entre grandes vedetas mediáticas e jovens desconhecidos, sem que haja um meio-termo). Já imagino os títulos de amanhã na imprensa espanhola!
Será que isto será capaz de despertar um interesse, ainda que muito relativo do Terras do Nunca para o futebol. Temo que não... Também não interessa nada.

25 de Abril sempre! 

O primeiro-ministro e o ministro da Defesa foram hoje (bastante) apupados à chegada ao desfile militar do 25 de Abril. Uma chatice.

Diga Lá, Patrão 

Hoje à noite (23.00), na Dois, José Manuel Fernandes entrevista o patrão. O programa chama-se, mais sugestivamente do que nunca, Diga Lá Excelência.

Descansado (de quê?) 

«Tiraram-me o meu telefone, mas antes, já na PJ, liguei ao ministro Arnaut, dizendo-lhe que tinha sido detido, mas pedindo-lhe que dissesse ao primeiro-ministro que estivesse descansado»
Valentim Loureiro, 24 Horas, 25/4/ 2004

Insuportável 

O Benfica, apesar de com o mesmo número de pontos, mantém-se atrás do Sporting. Mas basta aquela igualdade pontual para parecer que são campeões, como se vai demonstrar ao longo de toda esta semana até ao derby de domingo, com a inevitável A Bola como permanente porta-voz desse estado de espírito. Felizmente, vou ver a Acrópole. De perto.

Há 30 anos 

Há 30 anos era Lourenço Marques. Com nove anos acompanhava a minha mãe ao banco. Na fila alguém conhecido aproximou-se dela e, como quem lhe dizia um segredo, quase ao ouvido, soprou uma frase que nunca mais esqueci: «O Marcelo caiu». À noite, os amigos do meu pai (a quem os contactos com alguns meios católicos progressistas tinham tornado um homem de esquerda) juntaram-se para ouvir a BBC, em ondas curtas, para tentar saber notícias. Era 25 de Abril.

Campeão 

Parabéns ao Aviz.
O FC Porto é campeão nacional, como se esperava. Na TV, depois de termos tido, de manhã, o major Loureiro a falar em roupão junto ao portão de sua casa (ele é mesmo major, não será coronel, na versão brasileira?), tivemos os jogadores do FC Porto de cuecas aos saltos nas janelas do hotel...
Nas suas primeiras declarações como bi-campeão, José Mourinho declara que tem convites muito bons e que não pode garantir que vai ficar no FC Porto.
Eis, finalmente, uma boa notícia.

25 A 

25 de Abril, obviamente sempre.

25 A 

25 de Abril, obviamente sempre.

sábado, abril 24, 2004

24 de Abril 

Hoje é 24 de Abril. Fará hoje dez anos que alguém me deve um jantar de camarões fritos... Faz hoje dez anos que foi Natal numa casa da Junqueira.
Parabéns, Manuel Cardoso!

Imaginação 

Lembram-se daqui há uns meses alguns terem ficado chocados com as expressões utilizadas numa conversa telefónica entre o secretário-geral do PS e o então líder parlamentar socialista? A tal do «estou-me a cagar para o segredo de justiça», que a SIC fez o favor de divulgar profusamente?
Imaginem, agora, se fizerem favor, o teor de algumas das conversas telefónicas do major Valentim Loureiro... Uahu!

O filho 

João Loureiro, presidente do Boavista, ex-vocalista dos BAN (Surrealizar, por exemplo), ex-futuro candidato ao Parlamento Europeu, veio ao portão falar com os jornalistas, enquanto o pai não chegava do Tribunal de Gondomar. Entre lindas manifestações de amor filial, que ficam sempre bem, lembrou que se a PJ gravou as conversas telefónicas do pai nos últimos meses, além de políticos conhecidos e dirigentes desportivos, é provável que haja também conversas com magistrados e directores de jornais. Seria uma ameaça? Estilo, «quantos são, quantos são?»

Major com Santana 

O major Valentim Loureiro foi libertado (sob fiança de 250 mil euros, com termo de identidade e residência, suspensão de funções na Liga de Clubes e no Metro do Porto). À saída do Tribunal de Gondomar, mostrou-se sensibilizado por uma particular mensagem que recebeu nestes dias, vinda de Pedro Santana Lopes.
O recado foi, obviamente, para Durão Barroso.
PSL já tem assim garantido mais um apoio, seja para PR seja para líder do PSD. Seja para o que for, já estamos a imaginar o comício em Gondomar, com o major a manifestar o seu apoio entusiástico a Santana Lopes: «Guterres, Guterres, Guterres!»

sexta-feira, abril 23, 2004

O mundo louco (para o Terras do Nunca) 

O Terras do Nunca, cujo regresso após uma pausa de uma semana se saúda entusiasticamente, defende (com ironia?) que, chegados ao «mundo louco da bola» se suspende o Estado de Direito e a presunção de inocência. Ou seja, até prova em contrário, presumem-se culpados!
Descontada a ironia, existe ali um certo preconceitozinho. Até porque, meu caro Terras do Nunca, como se vai demonstrando, não é certo que o Apito Dourado se esgote no «mundo louco da bola». E o grave, verdadeiramente, é isso. É que aquilo a que o meu caro chama o «mundo louco da bola» não se esgote nele, até porque estamos a falar (na essência, que tendemos a esquecer) do mais bonito espectáculo do mundo. Às vezes, é conveniente (para muitos) pensar que sim, que é só o «mundo louco da bola». Mas, por exemplo, a doutora Maria José Morgado já nos tinha alertado que isto não fica por aqui... por muito que este Apito Dourado se venha a revelar pífio (e esperemos que não, pelo contributo que pode dar para que o novelo se comece a desenrolar).
Verdadeiramente, o que está em causa é a promiscuidade e a subordinação de «outros mundos» aos poderes fácticos da vida.

Navette 

Este sistema vai-vem entre o estabelecimento prisional da PJ do Porto e o Tribunal de Gondomar já começa a irritar. Estar detido desde terça-feira de manhã e só hoje ser ouvido, pela primeira vez, por um juíz é verdadeiramente insultuoso para os direitos dos cidadãos. Às vezes, por serem pessoas conhecidas (em relação às quais até sentimos um certo gozozinho em vê-las assim...), tendemos a esquecer o básico.

quinta-feira, abril 22, 2004

Zeca no dia 25 de Abril 

Imperdível. Dia 25 de Abril, pelas 21.30 no Bar d'A Barraca (no jardim de Santos), concerto de Zeca Medeiros (sim o realizador, mas também um notável cantautor). Dizer que se trata da voz mais expressivamente telúrica dos telúricos Açores é, certamente, insuficiente. Matemos saudades, então.

Coincidências do Apito Dourado 

O actual secretário de Estado das Obras Públicas, Jorge Costa, é o ex-vice-presidente da Câmara Municipal de Gondomar e ex-vice-presidente do Boavista.
Valentim Loureiro, ex-presidente do Boavista e presidente da Câmara de Gondomar, está indiciado por tráfico de influência, em matéria de obras públicas.
Já ouviram falar em promiscuidade?

Projecção internacional (Força Portugal!) 

«P. Algunos gobiernos, como el portugués, han criticado duramente la retirada española.
R. Igual que España es soberana para tomar sus decisiones, todos los gobiernos son libres de criticar a sus vecinos. El caso que menciona nos es de los que más me preocupan, en la medida en que soldados, lo que se dice soldados enquadrados en la fuerza militar combinada y conjunta, Portugal tiene tres.»
Extracto da entrevista do novo ministro da Defesa de Espanha, José Bono, ao El País de ontem.

quarta-feira, abril 21, 2004

Então, e o Abrupto? 

Tanta gente à espera de uma opinião do Abrupto sobre a detenção de Valentim Loureiro... e nada! Será amanhá no Público?

O sistema 

Talvez fosse conveniente para muita gente que a presença de Valentim Loureiro na investigação em curso pela PJ fosse na sua qualidade de presidente da Liga de Clubes. Mas não é.
A suspeita que a PJ persegue é a de que tenha sido agente de corrupção activa a favor do clube de futebol de Gondomar. E a sua única ligação a Gondomar é o facto de ser presidente da Câmara.
Como alguns se recordarão, uma das coisas que estava em causa em Felgueiras, era (também) o relacionamento promíscuo entre a autarquia e o clube de futebol local.
O sistema, no fundo, é isto. Promiscuidade, cunhas, favores, amiguismo, um «empurrãozinho» aqui, outro ali. E está longe de esgotar-se em Gondomar ou em Felgueiras.

Felgueiras em Gondomar 

Segundo a SIC Notícias, o bom povo de Gondomar saiu à rua, à chuva e ao vento, para, à porta do tribunal, gritar palavras de ordem de apoio ao major Valentim Loureiro, «amigo dos pobres».
Felgueiras (lembram-se?) e Gondomar, a mesma luta!

terça-feira, abril 20, 2004

Seriedade 

O presidente do Benfica, confrontado com a detenção de Valentim Loureiro, afirmou: «O major é um homem sério». Registamos a opinião. Não se confirma a insidiosa insinuação que circula nalguns meios que a frase tenha sido retirada do contexto e que Luís Filipe Vieira tenha realmente dito: «Ao pé de mim, o major é um homem sério».

Tintim (Loureiro) na prisão 

Afinal, o sistema sempre existe...

Deus (onde?) 

O doutor Deus Pinheiro, alguém já o viu por aí?
Faltam menos de dois meses para as eleições europeias... Já deram por isso?

segunda-feira, abril 19, 2004

Onze dias 

Foreign Sound, o novo Caetano, está desde hoje à venda em Portugal, onze dias depois de ter saído no Brasil (sim, contei-os um por um). Um exemplar já cá canta. Alegria, alegria.

Paixão (para o Aviz) 

Meu caro Aviz. Interrompo o meu supulcral silêncio desde o sábado de Paixão (que, como se sabe, é aquele dia em que os árbitros vestem de encarnado e a mulher do Pinto da Costa usa um cachecol do Boavista) para te responder. Achas que alguém decente compraria um site com esse nome (que, para além do mais, deve estar falido)? Isso é coisa para os veigas deste mundo. Um abraço forte e parabéns pelo campeonato.

sábado, abril 17, 2004

Mister Figueiredo 

Este episódio das declarações divergentes entre o ministro Figueiredo (quase que apetece citar o Almada, «se ele é ministro, eu quero ser espanhol!») e o primeiro-ministro Barroso é revelador da total inépcia de homem que garantem tratar da nossa segurançazinha.
Não sei porquê, mas cada vez que o homem vai à televisão sou assaltado por uma terrível nostalgia do Mister Ed. É inexplicável. E é muito injusto. O cavalo que fala não merecia isto.

Brigada Wolfowitz (Força Portugal!) 

Num precioso artigo publicado ontem no El País (desculpem a insistência...), o historiador e director de Estudos de Segurança Internacional da Universidade de Yale, Paul Kennedy, sugere que há uma força de reserva disponível para ser enviada para o Iraque, ansiosa por fazer com que a operação militar norte-americana naquele país seja um êxito total. Composta pelas «falanges de neoconservadores estado-unidenses, gurus de direita, jornalistas radicais e peritos especializados que há 20 meses garantiram que a conquista do Iraque não seria difícil, que as tropas estariam de volta depois de descobrirem as armas de destrução massiva, que o povo iraquiano daria as boas-vindas aos libertadores americanos, logo que se tivessem desfeito do desagradável Saddam, que exilados como Ahmad Chalabi seriam recebidos de braços aberto e assumiriam rapidamente o poder».
A este grande reforço, Paul Kennedy sugere que se chame a Brigada Wolfowitz, numa justa homenagem ao sub-secretário de Defesa dos EUA, um dos grandes apóstolos do neoconservadorismo americano. A ideia não é má. E podia ter uma extensão portuguesa. É verdade que o Barnabé quer enviar José Manuel Fernandes para o Iraque. Mas seria injusto o homem ir sozinho. E Delgado, Luís Delgado? Também merece, por direito próprio, integrar-se na facção portuguesa da Brigada Wolfowitz. Que até podia chamar-se, sei lá, Força Portugal!?

Ao Deus dará (II) 

A indigitação de João de Deus Pinheiro como cabeça de lista da coligação Força Portugal prova que esta semana foi marcada pelas reconciliações de Durão Barroso. Primeiro com Saramago, agora com Deus Pinheiro.
Sensacionalmente, segundo o Golpes de Vista conseguiu apurar, o acordo entre Durão Barroso e o seu ex-chefe nos Negócios Estrangeiros incluiu dois pontos absolutamente secretos, que revelamos em primeira mão:
1- O actual primeiro-ministro desmentiu formalmente ter sido a fonte de uma célebre manchete de O Independente, dirigido por Paulo Portas, sobre Deus Pinheiro.
2- Este prometeu devolver a manta à TAP.

Ao Deus dará (I) 

Segundo o sempre bem informado Expresso, João de Deus Pinheiro vai ser o cabeça de lista da coligação Força Portugal às eleições europeias de 13 de Junho. Trata-se de um notável alargamento da base social de apoio da coligação. Além do PSD e do PP é muito provável o apoio da Federação Portuguesa de Golfe.

sexta-feira, abril 16, 2004

Tanto Mar 

Já aqui disse e, por ser verdade, reafirmo. Da Estrada do Coco só chegam boas notícias. Fossem todas as estradas assim. Saravá!

Sampapa 

O senhor presidente da República vai receber na segunda-feira, em audiência, a direcção do Benfica e os seus jogadores, no âmbito das comemorações do falso centenário que aquele clube, à falta de outros motivos, festeja este ano. Em resumo, depois de andar vários anos a tentar imitar a rainha de Inglaterra, o Presidente doutor Sampaio atinge agora um outro patamar, muito mais exigente: tenta imitar o Papa (muito dado a este tipo de audiências, como se sabe).

Rua Castilho (ainda) 

No mesmo sítio onde há umas semanas fui abordado por alguém que se dizia o tratador de cavalos do toureiro Joaquim Bastinhas (genro do comendados Nabeiro), pedindo-me dinheiro emprestado para o gasóleo que o faria regressar a Campo Maior, estavam hoje um cigana romena (ou algo assim) com o inevitável filho ao colo a pedir esmola, um vendedor de barquilhos e um distribuidor de panfletos sobre uma nova urbanização de luxo. Parece indiscutivelmente uma das esquinas mais promissoras de Lisboa (quando precisar, é para ali que irei...).
Fechei as janelas, tranquei as portas e não lhes liguei. E olhem que os barquilhos até tinham bom aspecto. Pagam os justos pelo pecador.

Rua Castilho (continua) 

Continuo sem receber o dinheiro que emprestei ao tratador dos cavalos de Joaquim Bastinhas. Moral da história: a cavalo dado não se olha o dente.

terça-feira, abril 13, 2004

Menos um mês 

Acabo de descobrir, através de uma gentil funcionária da minha nova Junta de Freguesia, que o Arquivo de Identificação de Lisboa me roubou (ou me ofereceu?) um mês inteiro de vida na última renovação do Bilhete de Identidade. Pôs-me a nascer em Abril. Ora eu até simpatizo com Abril, mas eu, além de gostar muito de Março, já me tinha adaptado à ideia de ter nascido no mês três.
Ora, eu até já tinha ouvido falar do problema do envelhecimento da população. O que me suscita uma dúvida: terá sido isto um mero um equívoco do Arquivo de Identificação ou já farei parte de um subtil programa de rejuvenescimento da população portuguesa? Terá a engenharia criativa, tão usada já em matérias como o défice público, chegado às grandes questões demográficas?

segunda-feira, abril 12, 2004

Na merda 

Fui hoje à tarde à minha nova junta de freguesia, mudar o recenseamento eleitoral (acaba amanhã o prazo para poder votar nas Europeias de 13 de Junho). Enquanto preenchia os papéis, ao meu lado estava uma jovem (vinte e poucos anos) a solicitar uma declaração. Está desempregada, deixou o mês passado de receber o subsídio de desemprego, o marido também e, esse, nunca recebeu o subsídio. Ainda vacilei. Estive quase a dizer-lhe que não se preocupasse, que já batemos no fundo, que agora é que vai ser, que é genuína a preocupação social de quem nos governa. Mas, confesso que fui atacado por uma estranha sensação de pudor. Entreguei os papéis, recebi o cartão de eleitor e saí.

+ Caetano (caetaneando) 

«No Ocidente temos medo não apenas dos diferentes que nos ameaçam com a sua loucura fanática, mas também dos nossos semelhantes, porque os líderes políticos ocidentais protagonizam actos loucos. A política de Bush é temerária e não existe uma resposta articulada na Europa. As pessoas vivem com medo e o medo leva-nos a apoiar os líderes mais inaceitáveis.»

«A grande questão do Ocidente é a aventura laica. Esse desencanto do mundo de que fala Max Weber, que é uma conquista do Ocidente, uma libertação. Ainda que eu tenha um temperamento místico, não gosto da religião. A frase de Santo Agostinho «creio porque é absurdo» é terrível. Como «abaixo da inteligência, viva a morte!», aquela frase brutal de um fascista espanhol, que temo que está muito presente hoje em dia.»
Caetano Veloso, entrevista ao El País, 12-4-2004

Caetano (sempre Caetano!) 

«No fim de contas, a Inglaterra, como Porto Rico, é uma ilha que pertence aos Estados Unidos. A Inglaterra é Porto Rico, sem salsa»
Caetano Veloso, El País, 12-4-2004

As novas «ondas curtas» 

A compulsividade que sinto para adquirir o El País não será uma coisa totalmente racional. Mas é, de longe, o jornal com que me sinto mais bem informado daquilo que se passa.
É certamente injusto dizer que não há bons jornais em Portugal. Nuns dias mais do que noutros. Mas o El País é certamente muito melhor do que isso.
Eu ainda sou do tempo em que os meus pais e os amigos dos meus pais se juntavam à noite para ouvir as notícias nas «ondas curtas» (presumo eu que a BBC, embora não possa garantir). Hoje, pus-me a pensar se não é mais ou menos isso que me está a suceder com o El País, embora talvez sem todos os traços inquietantes que naquela altura significava ter de ouvir as «ondas curtas». Não com todos esses traços inquietantes, sim, é certo, mas se calhar com alguns deles.
E isso já é muito inquietante.

Sunshine 

Retemperar forças ao sol de Cascais. Almoço numa esplanada, comprar o El País do dia. De repente, a vida voltava a parecer uma coisa sorridente.
Eis que é preciso dar um salto à Caixa Geral de Depósitos, ali mesmo, no centro. Senha número 346. Olho para o placard: fica durante vários minutos parado no 284 - à hora do almoço, só há uma caixa a funcionar.
Fujo porta fora. Afinal, o sol ainda lá estava. Chiça!

Uma manhã das antigas... 

Os contactos com alguns serviços públicos continuam a ser uma experiência traumática. Apesar das melhorias que se sentem em muitos deles, outros remetem-nos para as mais desagradáveis memórias de anos idos. Hoje, experimentei o terrível SMAS (o serviço municipalizado das águas de Sintra). Duas horas de espera. No tempo em que nos dois guichets se atendia uma pessoa chegavam mais dez. Na sala de espera só havia nove cadeiras. De vez em quando um dos guichets não atendia ninguém (certamente que havia de trocar algumas ideias com alguns colegas sobre a Páscoa...). Um terror: a EPAL não podia anexar Sintra? Mais duas horas na EDP, em Sintra, para fazer o contrato de fornecimento de electricidade. Socorro!
Eis toda uma manhã profícua...

sábado, abril 10, 2004

Anedota 

Atenção à última:


O que é que se diz a um benfiquista que acaba de ganhar a Taça UEFA e a
Champions League?

- Desliga lá a PlayStation!

Salvador 

O estrada do coco regressou ao activo, depois de uns dias de repouso. Saravá!

Páscoa 

Regresso à infância. Na semana antes da Páscoa fazia-se o contrato, de dedos entrelaçados. No domingo, quem se adiantasse a dizer «ajoelha!» no primeiro encontro do dia tinha direito a um pacotinho de amêndoas. Das francesas, fininhas, brancas e cor de rosa.

Viva Ibéria! 

A minha enviada especial ao Corte Inglês regressou sem conseguir entrar naquele templo, em busca das divinas mangas (ditas avião). Descreve-me a multidão, de gente e de carros, que tentava a sua sorte à entrada para o caracoleante parque de estacionamento.
As amêndoas, este ano, são Doña Jimena - uma especialidade, as de canela.
Além disso a cidade (Lisboa) está inundada de matrículas espanholas, prudentemente fugidas à Semana Santa nas suas terras.
Apetece assobiar o Amigos Para Siempre!

Hoje 

Sábado de Aleluia. Aleluia?

sexta-feira, abril 09, 2004

Sexta-feira santa 

Hoje é dia de penitência. Hoje?

quinta-feira, abril 08, 2004

Nota galega 

O post anterior é um elogio ao Porto.

Viva Galiza 

FC Porto ou Deportivo da Coruña. Pelo menos, fica a certeza: a Galiza terá um clube na final da Liga dos Campeões.

Nuestros hermanos 

Um pequeno passeio lisboeta à hora do almoço permite, desde já, a conclusão: eles estão a chegar!

Medalha 

Segundo o primeiro ministro, perante o ar compenetrado dos atléticos homens do râguebi, o Governo conseguiu uma «medalha de prata» ao conseguir conter o défice dentro dos limites impostos pela UE. Falta dizer que esta seria uma daquelas medalhas que podiam ser retiradas depois do controlo anti-doping... A velha táctica de varrer o défice para debaixo dos tapetes (patente Pina Moura) seria detectada em qualquer teste de urina.

O jogo do melão 

O dinâmico doutor Durão aproveitou uma recepção à selecção nacional de râguebi para fazer um discurso sobre o défice público. Citando o grande ayatollah do santanismo (Delgado, Luís Delgado, claro): «O homem andará bem?»

quarta-feira, abril 07, 2004

Contigo 

No existe un momento del dia
En que pueda olvidarme de tí
El mundo parece distinto
Cuando no estás junto a mi
No hay bella melodia
En que no surjas tu
Ni yo quiero escucharia
Si no la escuchas tú
Es que te has convertido
En parte de mi alma
Ya nada me conforma
Si no estás tú tambiém
Más allá de tus labios
Del sol y las estrellas
Contigo en la distancia

Autor: desconhecido



Road to nowhere(dois anos) 

(...) Sigamos , pois, o cherne, antes que venha,
Já morto, boiar ao lume de água,
Nos olhos rasos de água,
Quando, mentido o cherne a vida inteira,
Não somos mais do que solidão e mágoa...

Alexandre O'Neill

O túnel 

Entre outras barbaridades, ao que parece o túnel do Marquês terá uma inclinação de mais de nove graus, quase o dobro do que a legislação da União Europeia permite.
Lembram-se do que João Soares (que Deus o tenha...) sofreu pela sua ideia do elevador do Castelo?
Este túnel é um crime.
Este túnel é o doutor Lopes em plano inclinado.

Tutores 

O Governo anunciou a criação da figura do tutor para os maus alunos. Uma boa medida. Que seria ainda melhor se fosse acompanhada de uma outra. A criação da figura do tutor para os maus ministros. É que manifestamente o dinâmico doutor Durão, coitado, não tem mãos para todos.

terça-feira, abril 06, 2004

Portugal em Acção (hehehehe) 

Segundo uma sondagem hoje publicada pelo Jornal de Negócios, 47,9% dos auscultados acha o dinâmico Governo do doutor Durão pior do que o Governo do engenheiro Guterres. Apenas 25, 9% acha melhor o Portugal em Acção do que o imobilismo socialista (culpado, como se sabe de todo o mal que tem ocorrido neste país à beira-mar plantado).

sexta-feira, abril 02, 2004

O mundo visto da Rua Castilho 

Há para aí quinze dias, descendo de carro a Rua Castilho (experiência que, por estes tempos, o senhor presidente da Câmara de Lisboa devia ser obrigado a fazer diariamente...), fui abordado por um senhor, com ar desesperado, que explicava que tinha acabado de ficar sem gasolina (apontando para um Peugeot mal estacionado), que lhe tinham roubado o casaco onde tinha todo o seu dinheiro, que tinha ido visitar a mulher que estava internada com um tumor, que precisava de voltar para casa, em Campo Maior (onde era tratador de cavalos do toureiro Joaquim Bastinhas), e precisava de algum dinheiro para o gasóleo. A história era convincente, o ar pungente. Dei-lhe 15 euros e, a seu pedido, o nome e a morada para onde poderia devolver o dinheiro.
Depois de nos afastarmos, do banco do lado, com aquele pragmatismo que caracteriza as mulheres, saíu logo um comentário: «Tens a noção de que não voltarás a ver o dinheiro?». Respondi com um elogio à Humanidade, e com um apelo à necessidade de acreditar mais nas pessoas.
Passados quinze dias, reconheço-o, o pragmatismo começa a sair vencedor de mais uma contenda. Terá de ser sempre assim?

quinta-feira, abril 01, 2004

A boa da liberalização (2) 

O Governo decidiu hoje que as empresas de transportes podem fixar livremente os preços das carreiras especiais que forem criadas para o Euro 2004. Uma apostinha de que vão ser preços muito em conta? Porque a liberalização não tem culpa nenhuma. Coitada.

A boa da liberalização 

Não, não era a notícia do 1 de Abril. A gasolina aumentou mesmo hoje pela sexta vez este ano, desde que foi liberalizado o preço dos combustíveis. A sem chumbo 95 já passou a barreira do euro. O ministro da Economia diz que a culpa não é da liberalização. Viva a liberalização!

Rambo 

O PÚBLICO é hoje acompanhado (por mais 8,9 euros) do filme A Fúria do Herói, vulgo Rambo I. Finalmente, um filme à altura dos editoriais de José Manuel Fernandes!

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