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segunda-feira, maio 24, 2004

O FC Porto ou uma luta de protagonismos 

Segundo se diz, Pinto da Costa e José Mourinho estão com relações tensas. Porque Mourinho andou a negociar com outros clubes sem informar o presidente do FC Porto. A campanha contra o treinador, e os seus méritos nas conquistas do clube, já começou. Há dias o presidente da Assembleia Geral do FC Porto disse mesmo que qualquer treinador podia ser campeão naquele clube.
Neste momento, no FC Porto trava-se uma luta de protagonismo, entre o seu presidente há 22 anos e o seu futuro ex-treinador. É preciso demonstrar que os méritos do presidente estão bem acima dos do treinador. É por isso que, desse ponto de vista, a derrota do FC Porto no final da Taça de Portugal, nem foi algo que corresse mal a Pinto da Costa. É também por isso que na final da Liga dos Campeões, na quarta-feira, José Mourinho tem muito mais a perder do que Pinto da Costa.
Se o FC Porto perder, Mourinho ouvirá, pela primeira vez, na chegada ao Porto coisas que nunca ouviu e Pinto da Costa será recebido como um herói. Se o FC Porto ganhar, Pinto da Costa será recebido à mesma como um herói, mas terá de partilhar o feito com Mourinho e será mais difícil dizer algumas das coisas que tem atravessadas e que estão previstas para dizer em breve. Vêm aí tempos interessantes por aquelas bandas...

domingo, maio 23, 2004

Emigração 

Os emigrantes portugueses de Gelsenkirchen e de toda a região, reunidos no clube Unidos, estão irritadíssimos. Prometeram-lhes uma emissão em directo da Praça da Alegria (o programa de manhã da RTP 1, com Jorge Gabriel e Sónia Araújo), alguns até meteram o dia 26 de férias para assistirem ao programa ao vivo, num praça da cidade alemã, e népias. Depois de uma notícia no Jornal de Notícias sobre esta irritação, a RTP reconsiderou a vai mandar a Gelsenkirchen, no dia da final da Liga dos Campeões, apenas a Sónia Araújo. A irritação continua, mas foi algo mitigada.
Mesmo na Alemanha, ou talvez, sobretudo na Alemanha (uma chata, já se disse), o dia-a-dia dos portugueses continua pontuado por questões de grande importância. Como se vê. É o sal da vida lusitana.

Presidentes 

Presidente da República, sim. Foi eleito na Alemanha, hoje. Ao que parece, segundo me informaram uns amigos que vivem por cá, é um tipo que vivia nos Estados Unidos e que ninguém conhece muito bem.
Aqui, o Presidente é eleito pelo Parlamento. «Para os poderes que tem...», aleguei eu. «Tem os mesmos do Presidente português», explicaram-me. «Exactamente!», concluí.
Os alemães podem ser uns chatos, mas têm a noção da realidade e de que não vale a pena perder tempo com a eleição de um ser inútil. Nalgumas coisas a Alemanha até é um exemplo.

Chatice 

24 horas depois, está confirmada uma velha ideia. A Alemanha é uma da maiores chatices da Europa.
Não sei o que se passou no Congresso do PSD (nem quero saber...) e a transmissão do casamento de Letízia foi dobrada em alemão.
A única informação séria, desde que cheguei: o Michael Schumacher não ganhou o Grande Prémio (foi preciso eu estar na Alemanha...), hurra! É a notícia do dia por aqui, no dia em que foi eleito o novo Presidente da República.

sexta-feira, maio 21, 2004

Meio 

Rumo a Gelsenkirschen. Adeus Portugal. Abandono o país com o congresso do PSD a meio, com o casamento de Felipe e Letízia (que tanto nos diz, como se vê pelas televisões e pelos jornais) a meio, com sabe-se lá o quê mais a meio. Um país a meio. Se tanto.

Arlindos e outros 

Comentário de um meu amigo sobre a entrada de Arlindo Cunha para o Governo: «Já só falta o Couto dos Santos». Não é verdade. Falta também o Arlindo de Carvalho.

Remodelação 

O ministro Theias foi despedido quando jantava no restaurante XL, junto à Assembleia da República. Recebeu um telefonema, saíu para a rua para ouvir quem estava do outro lado da linha e quando entrou já não era ministro.
O ministro Cunha, ex-ministro da agricultura de Cavaco Silva, é o sucessor. Ao contrário do que corre nalguns meios, não se confirma a nomeação de uma vaca louca para a secretaria de Estado.

quinta-feira, maio 20, 2004

Justificação 

Golpes de Vista tem blogado pouco por estes dias, é certo.
Porque a minha política é o trabalho.
Em breve espera-se que a situação mude.

terça-feira, maio 18, 2004

Bomba de água 

Hoje, dois ministros e vários secretários de Estado foram dispersos por um canhão de água da GNR. Ninguém me convence que foi involuntário. Presumo que estes novos canhões de água sejam inteligentes.

domingo, maio 16, 2004

Tanto mar... 

Alô,alô, Estrada do Coco? Não há notícias há uma semana...

A psicologia das massas 

Ontem, com ar pesaroso, e através do porta-voz do clube,apelava-se ao luto da família benfiquista, pelo falecimento de um atleta. Hoje, essa família está aos saltos pelas ruas e festeja exuberantemente a conquista de um título (coitados, estavam sedentos...).
O luto durou pouco, mas é verdade que ainda há um corpo por velar no Estádio da Luz. Amanhã, voltarão os rostos cerrados e o apelo à compaixão. O Benfica é, de facto, muito parecido com o país.

Taça 

Basta o Benfica ter ganho a final da Taça para esta ser erigida à condição de «título». O Benfica ganhou um «título». O país tem sempre o que merece.

sexta-feira, maio 14, 2004

Globalização em cada esquina 

Hoje deu-me para isto. Assisti a um exemplo da globalização. O Hotel D. Carlos, numa das esquinas da rua Rodrigues Sampaio, depois de umas obras de renovação (Euro 2004 oblige)passou a chamar-se Hotel D. Carlos Liberty (e já é um pau!).
Nem os nomes da nossa monarquia resistem. Essa é que é essa.

Palhaçada em Gondomar 

Segundo os relatos da imprensa de hoje, Castro Neves (um dos arguidos do caso Apito Dourado) tomou ontem posse como vereador da Câmara de Gondomar. Como uma das medidas de coação que lhe foi aplicada (assim como a Valentim Loureiro) foi a proibição de contactos com Valentim, quando ele entrou na sala para tomar posse, o presidente da Câmara (Valentim Loureiro) saiu da sala durante alguns momentos.
Assim se brinca à política e à Justiça em Portugal.

A soberania das salsichas 

Hoje fui testemunha em directo de um pedaço de perda da soberania nacional. Mesmo ao lado do IC 19, estavam a substituir a placa da velha Fricarnes (sim, a das salsichas) pela da Campofrio (salsichas, mas espanholas). Quase me senti incomodado, apesar das minhas óbvias simpatias iberistas. Logo a seguir, ainda no IC 19, encontrei o cartaz do digaomanel.com. Estive quase a escrever-lhe.

quinta-feira, maio 13, 2004

Pedidos 

Notícia do PÚBLICO: Exército pede mais três mil mancebos a Portas.

Fátima - uma aparição 

Reportagem matinal da RTP na Cova da Iria, 13 de Maio. A diligente repórter percorre o santuário. Atrás dela, sempre atrás dela (coladinho mesmo), ali está ele (não confundir com Ele, claro). O omnipresente «animal», «emplastro», ou como lhe queiram chamar, começa a alargar o seu raio de influência (deve estar a caminho de Lisboa, para a final da Taça). Ele está em todo o lado. Fátima, altar do mundo.

quarta-feira, maio 12, 2004

Cabidela (cantinho do hooligan, certo?) 

Foi numa noite que o meu querido amigo e compadre Francisco (mais a Sofia) me levou às Antas para ver um FC Porto-Grasshopers. Logo à chegada fui confundido com o José Manuel Fernandes (sim, é verdade!), mas até podia ter sido pior. Depois, o jogo nem correu muito bem ao FC Porto (2-2), mas foi lá, nessa noite, que ouvi um dos melhores gritos de incitamento que já tive oportunidade de testemunhar num campo de futebol, e já foram muitos. Num lance mais aceso, eis que uma respeitável senhora grita lá para dentro: «Mata, mata! Que eus depois faço arroz de cabidela!».
Seguiram-se muitos portos tónicos no Cafeína, uma geladinha aguardente de maçã verde no Bonaparte, mas aquele grito ficou. Tenho-me lembrado dele, agora que se aproxima a final da Taça de Portugal. Que bem que marchava um arrozinho de cabidela no domingo. De galinha, claro!

Evolução - Um país de sucesso 

Finalmente, num acto da mais elementar justiça, o PÚBLICO chegou hoje à Siemens, de Alfragide, nas suas páginas dedicadas aos 30 anos do 25 de Abril (uh, uh, acordem, já estamos a 12 de Maio...). E promete continuar.
A intenção deve ser fazer a ligação até às comemorações dos 31 anos do 25 de Abril.
Por lá já passaram exemplos tão relevantes de um país de sucesso (dir-se-ia mesmo, em evolução) como a maior plantação de agriões da Europa. Afinal, não é só Abril, também Maio é evolução. Força Portugal!

O exemplo 

O líder da JSD/Madeira, que, por mero acaso, é filho daquela extraordinária figura que é Jaime Ramos (uma demonstração viva que a teoria da evolução não tem, ao contrário do que se pudesse pensar, aplicação geral), diz que Pacheco Pereira «está a mais na política e no partido» e que se «enganou» a escolher o PSD, etc, etc.
O crime de Pacheco foi defender a extinção das juventudes partidárias, o que não só me parece uma opinião aceitável, como seria mesmo um acto da mais elementar higiene política.
Outro dirigente do PSD Madeira, Miguel Sousa, vice-presidente, disse que o PSD «só tem a ganhar se se livrar desses idiotas». Os «idiotas» são, além de Pacheco, Luís Filipe Menezes, este por ter afirmado que Jorge Sampaio tem sido o melhor Presidente da República (o que me parece também ser uma evidência, do ponto de vista do PSD e do modelo institucional «rainha de Inglaterra» adoptado pelo actual inquilino de Belém).
No passado fim-de-semana, no congresso regional do PSD/Madeira, Durão Barroso e Dias Loureiro teceram loas sem fim a Alberto João Jardim, considerando a Madeira um exemplo de democracia. O que suscita aquela velha questão: eles drogam-se?

terça-feira, maio 11, 2004

Mudanças 

Parabéns ao Terras do Nunca pelo seu lifting (ou será peeling?). Bonito, sim senhora.

Força Portugal! 

Também tu, OCDE?

Kill Bill forever! 

Kill Bill - Vol II para esquecer as dores. Desculpem lá qualquer coisinha os adversários de Tarantino, mas trata-se de um dos maiores divertimentos de sempre na tela do cinema.
Imperdível, como o Vol. I. Apetece, como no Vol.I, sair da sala e entrar outra vez para voltar a ver. Apetece, como no Vol. I, sair a correr para comprar a banda sonora. No Vol. II, avolumam-se deliciosos diálogos (alguns de extracção confuciana), além da acção e da violência assumidamente pastiche do primeiro filme. Para além da notável Uma Thurman, junte-se um imperdível David Carradine, como que a fazer dele próprio (Kung Fu, lembram-se?).
Genial, genial, genial. Três vezes genial.

Agostinho 

Ontem fazia vinte anos que eu tinha tido um dos maiores choques da minha vida, com a morte de um dos maiores ídolos da minha meninice e adolescência. Falo do Joaquim Agostinho, claro.
Texto notável o do meu querido e grande amigo José Henrique Soares, ontem, nas páginas do Diário de Notícias, uma verdadeira crónica sentimental sobre um homem que foi «mais que o país» (como disse, e bem, Marçal Grilo), e praticamente ignorado vinte anos depois (em que qualquer jogo do Estrela da Amadora parece ser mais importante).
Nas páginas de A Bola, durante 13 anos, tantas quantas Agostinho esteve na Volta a França, escreveu Carlos Miranda (o jornalista que escreveu os mais belos textos que eu me lembro de ter lido) verdadeiras obras de arte.
É em momentos como este que, ainda não tendo chegado aos 40, me vejo como um impiedoso nostálgico.

KO 

Às vezes, muitas, um homem tem a noção da sua pequenez. Ontem, sucedeu-me isso. Perdi uma batalha com a porta do porta-bagagens do carro. Sei que isso não me engradece particularmente, muito menos reconhecê-lo publicamente. Tudo isto para dizer: sim, é verdade, parti a cabeça. Eu, que prefiro perdê-la.

domingo, maio 09, 2004

Elvis 

Estive a escolher o adjectivo. Soberbo parece-me bem. Soberbo Elvis Costello.

sábado, maio 08, 2004

Cherne recusado 

Segundo o Expresso de hoje, como sempre prenhe de relevantes informações, José Luís Zapatero recusou o convite de Durão Barroso para jantar em S. Bento, dizendo que tinha assuntos urgentes para tratar em Espanha. Mas acabou por ter encontros com (por ordem decrescente de importância) António Guterres, Ferro Rodrigues e Jorge Sampaio.
Há que perceber Zapatero. Há ocasiões em que qualquer desculpa é boa...

As agruras de Colin 

De acordo com uma notícia do El País de ontem, que cita um artigo da revista GQ do próximo mês, o secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, está «esgotado, frustrado e amargurado», segundo os seus colaboradores. Mais, segundo o artigo da GQ, sugestivamente intitulado «Vítima de guerra», Powell sente-se incomodado com a agenda de George W Bush, cansado de guerrear com o Pentágono (Donald Rumsfeld) e sente que sua reputação (que era indiscutível) ficou manchada pelo seu discurso de Fevereiro de 2003, na ONU, em que tentou provar que o Iraque dispunha de armas de destruição massiva. Já no livro de Bob Woodward Attack Plan, se escreveu que Powell e o vice-presidente Dick Cheney praticamente já não falam entre si. Ao que consta, mesmo que W Bush seja reeleito (cruzes. canhoto!), Colin Powell quer dar o fora.
Pobre Colin, com quem andas metido...

Fahrenheit nine/eleven 

O novo documentário de Michael Moore, sobre cujas qualidades e defeitos todas as opiniões são possíveis, chama-se Fahrenheit 9/11, mas a Disney recusa-se a fazer a sua distribuição, por considerá-la «demasiado polémica».
No filme explicam-se as ligações financeiras entre os interesses da família Bush e alguns dos clãs da Arábia Saudita, entre eles uma tal família Bin Laden. Um dos episódios que se conta é a de um avião fretado pela Casa Branca para fazer sair dos Estados Unidos uma série de cidadãos sauditas, no próprio dia 11 de Setembro, quando o espaço aéreo norte-americano se encontrava encerrado. Entre os evacuados estava um amigo da família Bush da mesma família Bin Laden.
Ora, nós, os que sempre admirámos os Estados Unidos pela sua capacidade para ser uma sociedade livre e aberta - Nova Iorque é e será sempre a minha cidade preferida (rivalizando com Barcelona, admito) -, não podemos deixar de ficar inquietos com o estado em que o bushismo, o rumsfeldismo, o wolfowitzismo e outros cretinismos estão a mergulhar aquele país, exactamente no ponto que ele tinha (e tem) de melhor, como exemplifica esta atitude da Disney.
Esta talvez seja a maior tragédia. Bush já deixou de ser o presidente dos Estados Unidos para se alcandorar à definitiva condição de praga.

Porque hoje é sábado 

Elvis Costello's day.

sexta-feira, maio 07, 2004

Pim! 

Hoje, às três horas da tarde, demorei uma hora a passar, de táxi, pela zona das Amoreiras. Confesso que tenho andado muito irritado, mas se o doutor Santana Lopes me aparecesse à frente, não respondia por mim!

GRITO! 

Nunca mais é sábado! Dia de Elvis Costello.

quinta-feira, maio 06, 2004

O amigo Falcone 

Segundo o Público de hoje, o conhecido bandido internacional (traficante de armas, entre outras coisas) Pierre Falcone, sobre quem pende um mandado de captura internacional, e detentor de um passaporte diplomático de Angola (gentilmente cedido pelo regime cleptocrata de Luanda, de quem é representante na UNESCO) foi ontem detido pelos Serviços de Estrangeiros e Fronteiras no aeroporto de Lisboa, tendo sido solto para apanhar um avião para Londres. Ainda de acordo com o Público há instruções do Governo português e do primeiro-ministro Durão Barroso para que seja dado crédito ao passaporte diplomático.
Afinal, os amigos são para a ocasião e nem toda a gente tem direito a convite para os casamentos da Tchizé...
Uma ignomínia, é o que é.

quarta-feira, maio 05, 2004

Atenas 

A 100 dias do início dos Jogos Olímpicos de Atenas explodiram três pequenas bombas-relógio na capital da Grécia. O terrorismo, seja ele qual for, também aprecia as datas simbólicas.
Os gregos consideram que a única ameaça terrorista sobre os Jogos é «externa», considerando resolvida a ameaça «interna». Ora, os primeiros dados sobre estes atentados apontam para grupos radicais internos, o que deve ser altamente perturbante para as autoridades helénicas.

Critérios 

O Público, em Lisboa, colocou Carlos Cruz na manchete. O Público, no Porto, colocou a grande vitória do FC Porto em manchete.
Ora, o feito do FC Porto é tão notícia no Porto, como no resto do País (Odemira ou Vila Real de Santo António, por exemplo). Assim como a história da passagem de Carlos Cruz para a prisão domiciliária, que é tão notícia em Lisboa como na Régua ou em Mesão Frio. A aplicação de critérios regionalistas sobre estas duas notícias revela-se, assim, curiosa.

Festejos 

Segundo uma notícia ontem publicada no jornal Record, o presidente do FCPorto festejou exuberantemente o golo do Benfica no jogo com o Sporting, domingo à noite. Para que conste.

terça-feira, maio 04, 2004

Pois... 

Então, parabéns ao FC Porto.

Força Portugal! (quando o País fica futebol) 

Enquanto decorre o Corunha-FC Porto e quando se aproxima o Euro 2004, talvez seja altura (é sempre altura) de relembrar o génio de Alexandre O'Neill, numa absolutamente brilhante crónica publicada no Jornal de Letras em Maio de 1984, e que faz parte do tal livrinho de O Independente ,«Coração Acordeão». Com uma dedicatória especial para o Terras do Nunca.
Chama-se o texto «Neuropeu de futebol»:

O que perde o futebol não é o jogo propriamente dito, mas todo o barulho que se faz à volta dele. É impossível a gente alhear-se do futebol, falado, comentado, transmitido, relatado, visto, ouvido, apostado, gritado, uivado, ladrado, festejado, bebido. O futebol passa deste modo a ser uma chateação permanente. É que não há tasca, pastelaria, sala de jogos, barbearia, recanto de jardim público, quiosque, bomba de gasolina, restaurante, Assembleia da República, supermercado, hipermercado, livraria, loja, montra, escritório, colégio, oficina, fábrica, habitação, diria até, onde, de algum modo, não se ouça falar do jogo que decorre, decorreu ou decorrerá. Quando há transmissão via TV ou Rádio, então a infernização é total. Passam sujeitos na rua de transístor aberto para ouvir o relato, para sofrer e fazer sofrer quem gosta (ou não) de futebol, ouvem-se súbitos gritos guturais, alarido dos diabos. Em casas de comida (pasto), pastelarias, etc., só se vê gente de pescoço esticado para o pequeno ecrã, alguns acompanhando simultaneamente com o rádio de bolso o jogo que está a ver. Isto sem contar com o que vem das residências particulares, quando o calor aperta e as janelas estão abertas. Depois, aparecem os jornais desportivos e os jornais não desportivos, os críticos, os especialistas, os entrevistadores, os grandes títulos verdadeiramente idiotas, como o da presente crónica, para não me furtar ao exemplo. Enfim, o País fica futebol.
É grave? Não é grave? Sei lá. Verifico, apenas, que é assim por toda a parte. E isto massacra, desgosta, faz perder a razoabilidade, a isenção, o bom senso, a simples tineta. Que o futebol pode ser um jogo lindo, emocionante, que dúvida! Ainda há momentos (estou a escrever no domingo) acabei de telever o Portugal-Espanha chutado e dei comigo aos pulos, abraçado a um filho de oito anos de idade - ainda relativamente ileso -, quando os nossos patrícios meteram o seu golo. Eu estava apanhado apenas por razões patrioteiras, que o jogo foi fraco, embora o golo tenha sido lindo.
Mas que vem a ser isto? Então eu que, ao contrário do que é costume, até gosto dos espanhóis, vou-me deixar caçar assim? Que tenho eu a ver, no fundo, com a equipa-de-todos-nós, agora exaltada num hino que dá vontade de rir?
Nestas coisas tem de ser cortar cerce: nunca mais vou chupar desse tabaco que se chama futebol. Em todo o caso, sempre quero dizer que eu, se fosse o Cabrita, tinha metido o Gomes, pelo menos na segunda parte, ou estarão a poupar-lhe as pernas para o Inter de Milão?

Alexandre O'Neill, Jornal de Letras, 19 de Maio de 1984

Os livrinhos de O Independente 

O Independente (com o patrocínio da Fundação Oriente) tem vindo a distribuir nas últimas semanas (e vai continuar) uma série de deliciosos livrinhos que reúne alguns dispersos e colaborações na imprensa de nomes como a pérfida Agustina Bessa Luís, ou os indispensáveis Victor Cunha Rêgo e Alexandre O'Neill. Estes foram os que já saíram. Esta semana anuncia-se outra indispensabilidade: Millôr Fernandes. E ainda virão nomes como Sophia, Sttau Monteiro, Cesariny. Tudo com umas capas onde sobressaiem os notáveis desenhos de André Carrilho (atenção, são dele algumas das melhores ilustrações que se vão vendo por aí...). É um grande serviço de O Independente. Felizmente, no quiosque ali da esquina até vendem o livro sem ser preciso comprar o jornal. Obrigado.

segunda-feira, maio 03, 2004

BD 

Ah, a banda desenhada! O JRP do Avenida dos Aliados está a homenagear o Tintim, que prefere ao Astérix. É uma escolha difícil e, felizmente, desnecessária. Fiquemos, então, com os dois.
Mas, por falar disto, gostaria de aproveitar a ocasião para evocar o pérfido Iznogoud, o terrível grão-vizir que queria ser califa no lugar do califa. E o Humpá-Pá, e o TakaTakata, e o Robin da Mata, etc, etc, etc
Não tenho grandes dúvidas que um dos bens mais preciosos de que disponho é mesmo a colecção completa do Tintim, a revista. Dos 7 aos 77 anos. É mais do que uma colecção de revistas, devidamente encadernadas. É uma querida colecção de memórias e de afectos, o que é uma coisa preciosa. Muito preciosa.

Concorrência (desleal?) 

Lendo o Expresso de sábado passado, com histórias tão interessantes como o relógio oferecido por Pinto da Costa a Valentim Loureiro e (tema de capa da revista) Oeiras, a Sillicon Valley portuguesa (curiosamente para onde a redacção do semanário se mudou há alguns meses...), questiono-me se o jornal de referência Inimigo Público não deve começar a preocupar-se com a concorrência...

Regressar 

Chego e vejo a festa que os jogadores do Benfica fizeram por terem garantido o segundo lugar do campeonato (ou o FC Porto terá sido desclassificado e estavam a festejar o título?). Penso em duas coisas:
1- Estava-se tão bem em Atenas...
2- Pensar que aquele clube já foi grande...

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