terça-feira, junho 28, 2005
Um imenso vazio
sexta-feira, junho 24, 2005
Poemas da minha vida
THE ROAD NOT TAKEN
Two roads diverged in a yellow wood,
And sorry I could not travel both
And be one traveler, long I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth;
Then took the other, as just as fair,
And having perhaps the better claim,
Because it was grassy and wanted wear;
Though as for that the passing there
Had worn them really about the same,
And both that morning equally lay
In leaves no step had trodden black.
Oh, I kept the first for another day!
Yet knowing how way leads on to way,
I doubted if I should ever come back.
I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diverged in a wood, and I-
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.
Robert Frost
Two roads diverged in a yellow wood,
And sorry I could not travel both
And be one traveler, long I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth;
Then took the other, as just as fair,
And having perhaps the better claim,
Because it was grassy and wanted wear;
Though as for that the passing there
Had worn them really about the same,
And both that morning equally lay
In leaves no step had trodden black.
Oh, I kept the first for another day!
Yet knowing how way leads on to way,
I doubted if I should ever come back.
I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diverged in a wood, and I-
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.
Robert Frost
segunda-feira, junho 20, 2005
Chico (à bruta) - O que será
O que será que me dáQue me bole por dentro, será que me dáQue brota à flor da pele, será que me dáE que me sobe às faces e me faz corarE que me salta aos olhos a me atraiçoarE que me aperta o peito e me faz confessarO que não tem mais jeito de dissimularE que nem é direito ninguém recusarE que me faz mendigo, me faz suplicarO que não tem medida, nem nunca teráO que não tem remédio, nem nunca teráO que não tem receitaO que será que seráQue dá dentro da gente e que não deviaQue desacata a gente, que é reveliaQue é feito uma aguardente que não saciaQue é feito estar doente de uma foliaQue nem dez mandamentos vão conciliarNem todos os unguentos vão aliviarNem todos os quebrantos, toda alquimiaQue nem todos os santos, será que seráO que não tem descanso, nem nunca teráO que não tem cansaço, nem nunca teráO que não tem limiteO que será que me dáQue me queima por dentro, será que me dáQue me perturba o sono, será que me dáQue todos os tremores me vêm agitarQue todos os ardores me vêm atiçarQue todos os suores me vêm encharcarQue todos os meus nervos estão a rogarQue todos os meus órgãos estão a clamarE uma aflição medonha me faz implorarO que não tem vergonha, nem nunca teráO que não tem governo, nem nunca teráO que não tem juízo
Quiet
Os silêncios, por vezes, são muito expressivos.
terça-feira, junho 14, 2005
Foice
Confesso que sempre pensei que, se pudesse fazer a primeira página de um jornal com a notícia da morte de Álvaro Cunhal, seria assim.
Uma grande foto bonita (Cunhal era um homem bonito), as datas do costume (no caso, 1913-2005) e um grande título, a vermelho: Foice.
Delírios, admito.
Uma grande foto bonita (Cunhal era um homem bonito), as datas do costume (no caso, 1913-2005) e um grande título, a vermelho: Foice.
Delírios, admito.
segunda-feira, junho 13, 2005
Onde os lábios (mais Eugénio)
Os lábios.
Distante, arrefecida chama.
Não só os lábios, também as estrelas
são distantes.
E os bosques. E as nascentes.
Também as nascentes são distantes.
As nascentes onde os lábios,
onde as estrelas bebem.
Só o deserto é próximo, só
o deserto.
Distante, arrefecida chama.
Não só os lábios, também as estrelas
são distantes.
E os bosques. E as nascentes.
Também as nascentes são distantes.
As nascentes onde os lábios,
onde as estrelas bebem.
Só o deserto é próximo, só
o deserto.
Eugénio
O corpo de um poeta são as palavras. É por isso que os poetas, os grandes poetas, não morrem. Porque ficam as palavras.
Memorial de um corpo (Eugénio de Andrade)
Entras no meu sono
quando o sono tarda
Contigo o desejo
acorda nos ramos
Nos teus lábios mordo
a raiz do lume
Entre as tuas pernas
quebram as minhas ondas
Nos ramos mais altos
rebentam os gomos
Cresces para a luz
dentro do meu sono
quando o sono tarda
Contigo o desejo
acorda nos ramos
Nos teus lábios mordo
a raiz do lume
Entre as tuas pernas
quebram as minhas ondas
Nos ramos mais altos
rebentam os gomos
Cresces para a luz
dentro do meu sono
quinta-feira, junho 09, 2005
Saudades
Da Ponta da Madrugada, de São Miguel, de Rosto de Cão/Livramento, do Café Sporting. Saudades, muito especialmente, do Carlos Ferreira e da Maria de Deus. Saudades de tanta coisa.
segunda-feira, junho 06, 2005
Se tudo pode acontecer (Adriana Calcanhoto)
Se tudo pode acontecer
Se pode acontecer
Qualquer coisa
Um deserto florescer
Uma nuvem cheia não chover
Pode alguém aparecer
E acontecer de ser você
Um cometa vir ao chão
Um relâmpago na escuridão
E a gente caminhando
De mão dada
de qualquer maneira
Eu quero que esse momento
Dure a vida inteira
E além da vida
Ainda de manhã
No outro dia
Se for eu e você
Se assim acontecer
Se pode acontecer
Qualquer coisa
Um deserto florescer
Uma nuvem cheia não chover
Pode alguém aparecer
E acontecer de ser você
Um cometa vir ao chão
Um relâmpago na escuridão
E a gente caminhando
De mão dada
de qualquer maneira
Eu quero que esse momento
Dure a vida inteira
E além da vida
Ainda de manhã
No outro dia
Se for eu e você
Se assim acontecer
Sporting
Sobre o Sporting. Começo a compartilhar a ideia do meu amigo Diogo. Seria talvez altura dos dias da competência sucederem ao Dias da Cunha.
Medalhas para todos
A lista de condecorados do 10 de Junho deste ano é a demonstração do grau de ensandecimento do homem-que-diz-ser-o-Presidente-da-República. É uma vergonha.
Leonor Pinhão? Por alma de quê ou de quem? O que é que até agora fez na vida para receber uma comenda (só se é para fazer companhia ao seu marido, João Botelho, também ele condecorado...). Será por ser do Benfica? Fátima Campos Ferreira? Por amor de Deus... Porque não Alberta Marques Fernandes ou Vasco Trigo?
Já para não falar do clube dos amigos (são já poucos, é verdade...), de Vera Jardim a Nuno Brederode Santos...
Fazia falta algum pudor nesta história das medalhinhas...
Leonor Pinhão? Por alma de quê ou de quem? O que é que até agora fez na vida para receber uma comenda (só se é para fazer companhia ao seu marido, João Botelho, também ele condecorado...). Será por ser do Benfica? Fátima Campos Ferreira? Por amor de Deus... Porque não Alberta Marques Fernandes ou Vasco Trigo?
Já para não falar do clube dos amigos (são já poucos, é verdade...), de Vera Jardim a Nuno Brederode Santos...
Fazia falta algum pudor nesta história das medalhinhas...